Projeto ensina música para transformar vidas de crianças e adolescentes em Goiânia

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Grupo se apresentou ontem pela primeira vez: ação é realizada com o apoio da Arquidiocese de Goiânia e de empresas privadas e financiada pelo governo federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura

Foto: André Costa

Diante do olhar atento de familiares, amigos e demais espectadores, dezenas de crianças e adolescentes subiram a um palco, nesta sexta-feira (14), pela primeira vez. Munidos de instrumentos como violino, violoncelo, contrabaixo e percussão ou cantando no coral, eles protagonizaram o concerto inaugural do projeto Primavera Social, que se propõe a desenvolver oficinas culturais de música instrumental com um público em situação de vulnerabilidade social em escolas públicas na Região Noroeste de Goiânia.

Realizada com o apoio da Arquidiocese de Goiânia e de empresas privadas e financiada pelo governo federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura, a iniciativa tem como sede a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Setor Jardim Primavera, e abrange também moradores de bairros limítrofes da cidade de Goianira, na região metropolitana da capital. Ao todo, são atendidos 100 estudantes, que têm idades entre 7 e 17 anos. Desde o início de abril, eles recebem, de segunda a sexta-feira, aulas de teoria musical, canto e coral, percepção musical e aprendem a tocar instrumentos.

O projeto, que será desenvolvido durante 12 meses em sua 1ª edição, tem a proposta de aumentar o potencial criativo dos participantes, afastá-los de situações de violência e incentivar a profissionalização. O objetivo é que mais de mil crianças e adolescentes sejam alcançados. “Esse projeto está sendo desenvolvido em uma região de Goiânia que costuma ser conhecida pelas notícias de violência. Buscamos levar uma cultura diferenciada daquela que eles estão acostumados a ver e ouvir”, disse o padre Adalmiran Vasconcelos, diretor do projeto. “Dificilmente eles teriam acesso a esses instrumentos e a esse aprendizado”, complementou.

Na apresentação, ocorrida no teatro do Colégio Ateneu Salesiano Dom Bosco, no Setor Oeste, os primeiros frutos do trabalho foram colhidos, ao som de músicas clássicas e populares. “Esse projeto eleva, dignifica e dá novo vigor. Traz alegria para as crianças e para as famílias e enobrece. Além de uma profissão que (eles) podem aprender, tem também o lado espiritual. A música clássica é reconhecida como aquela que eleva o espírito”, frisou o arcebispo Metropolitano de Goiânia, Dom Washington Cruz.

Carência

Atuando há cerca de dez anos com projetos sociais, a coordenadora artístico-pedagógica do projeto, Amanda Mathias, afirmou que o aspecto mais marcante do trabalho que tem sido desempenhado é o cuidado requerido pelos educandos. Ela, que também é regente e preparadora cênica do coral e da orquestra, explicou que no dia a dia a carência afetiva que muitos participantes têm de afeto se torna evidente, pois, para vários, trata-se da primeira experiência em que recebem atenção específica.

“A gente percebe a diferença no comportamento. Quando entrei, havia alunos com postura muito agressiva, que tiveram uma recusa”, explicou ela, que ingressou há menos de um mês no projeto. “Eu notei uma mudança. Sendo mais afetiva, eles se acalmavam”, contou. “É gratificante para mim como pessoa e como mãe. É excepcional.”

Por meio de instrumentos comumente utilizados para a música, a educadora busca mostrar que não há limites. “Busco mostrar para eles que com esse instrumento pode se tocar rock, samba. Pode-se fazer qualquer coisa”, complementou.

Apoio familiar

A experiência também é vista como transformadora por participantes e suas famílias. O estudante Erik Wilker, de 15 anos, reside no Setor Triunfo I, em Goianira, e ficou sabendo do projeto em sua escola, o Colégio Militar de Goianira. Interessado, ele teve o apoio da mãe para se inscrever e participar da iniciativa. “Ela falou que seria bom para o meu futuro. Vai ser bom para aprender e me envolver com coisas novas”, contou ele, que toca viola clássica.

Estudante da rede municipal de Ensino, Gabrielly Ribeiro, de 10 anos, também soube da iniciativa na escola e contou com a presença da mãe e do irmão na plateia do concerto inaugural. Ela tocou viola clássica e de cima do palco, conseguiu ver o semblante de ambos. “Era de alegria”, disse, com orgulho.

 

Fonte: O Popular

14 de Junho de 2019

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